quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CONGADA

CONGADO
Decreto Municipal - nº. 260 de 17/12/2010
Patrimônio imaterial – manifestação cultural - celebrações


                



 
O Congado, também conhecido como Congo ou Congada é uma manifestação cultural de origem africana com influências religiosas católicas, com dança e batuque na coroação do rei do Congo, em um cortejo com passos e cantos.
 

A comunidade incorpora os personagens de reis, rainhas, coroados, portas-bandeiras, juízes, capitães-regentes, alferes, dançantes, acompanhantes, cantadores, caixeiros que, juntos, formam uma guarda de Congo ou de Moçambique, homenageando seus antepassados e santos protetores.



  Notas históricas

O congado veio da África com os antigos escravos, provavelmente no final do
século XVII ou início do século XVIII, inspirando-se no Cortejo aos Reis Congos que era uma expressão de agradecimento do povo aos seus governantes na África. O cortejo trata basicamente de três temas: a vida de São Benedito, o encontro de Nossa Senhora do Rosário e a representação da luta de Carlos Magno contra as invasões mouras. São as Irmandades Negras que mantém essas tradições, os moçambiques, os congados e as cavalhadas que enchem de cor as ruas e praças das cidades de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Goiás.














É um movimento cultural que envolve danças, cantos, levantamentos de mastros, coroações e cavalgadas, com o uso de instrumentos musicais como cuíca, caixa, pandeiro, reco-reco, etc.


Em Minas Gerais é uma das principais expressões do patrimônio imaterial, com grande influência da região de Ouro Preto, onde a história nos traz Chico Rei, rei no Congo que vem como escravo para o Brasil com quatrocentos negros da sua nação africana. Segundo contam as tradições, Chico Rei comprou sua alforria e uma mina desativada que ainda continha muito ouro, , ficando rico e libertando os demais.
Como grande devoto de Nossa Senhora do Rosário, pagou sua promessa organizando a primeira festa em homenagem à santa em 1747.


 Em nosso município as tradições do Congado nos levam aos antigos quilombos onde negros fugitivos se reuniam e ao Desemboque, onde foram trabalhar como escravos nas minas de ouro e pedras preciosas. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário construída a mais de duzentos anos, continua a nos mostrar a saga desses homens e de sua fé.




Igreja Nossa Senhora do Rosário – Desemboque 1966

A tradição vem para a cidade de Sacramento provavelmente após sua fundação, mas a história nos deixou poucos documentos. A Igreja Nossa Senhora do Rosário, localizada no bairro que leva o seu nome, foi construída ainda no século XIX, mas reformada por várias vezes no século XX, perdendo suas características originais.


 
 
 
 
 
Nesta Igreja os congadeiros fazem suas homenagens aos santos padroeiros e ao rei do Congo, após saírem de suas casas e percorrendo diversas ruas e avenidas em um cortejo de música e fé.


                                                                       
A Igreja de Nossa Senhora da Abadia, construída há quase quarenta anos, também recebe atualmente a devoção a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito. Daí parte desde 2003 os cortejos no Encontro dos Congos, Ternos, Moçambiques e Catuapés vindos de diversas cidades da região em direção a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.



Santos de Devoção:

 

São Benedito

Santo italiano cujos pais eram descendentes de escravos. No Brasil é chamado de "o santinho preto". Seu culto, um dos mais populares do país, é associado aos padecimentos do negro brasileiro.




Nossa Senhora do Rosário

É o título recebido pela aparição de Maria a São Domingos de Gusmão em 1208, quando dá um rosário a ele. No Congado é homenageada pela sua aparição no mar na África a um grupo de Congo que tocava seus instrumentos na praia.


“O Moçambique puxou Nossa Senhora do Rosário para a Igreja e essa é a diferença entre o Moçambique e o Congado: o Moçambique conduziu Nossa Senhora e o Congado veio só para festejar, por isso é que o Moçambique puxa a coroa. Festa sem Moçambique não é festa de Nossa Senhora do Rosário” - Rogério Alves, Terno de Moçambique de Uberaba (in Jornal O Estado do Triângulo outubro de 2002)


A porta-bandeira leva com orgulho o nome do santo protetor. E a porta-estandarte, a bandeira com o nome da guarda. Os demais integrantes do Moçambique enfeitam-se com uniformes coloridos, terços, guias, boinas, saiotes, calças, coletes, camisas. Já a guarda de congo usa um uniforme de inspiração naval composto de calça, camisa e um cap.



Reis e Rainhas

Os reis e as rainhas são os representantes da tradição, da espiritualidade.



  Cantos ou cantorias

São muitas as letras e tipos de batuques nos grupos de congado, em que cada grupo tem suas características e através dos cantos é que homenageiam os santos, os reis e rainhas, as famílias e amigos.

 

Instrumentos

Os instrumentos geralmente são construídos pelos próprios membros dos grupos, os congadeiros, com materiais como latas, madeira, couro, cordas, etc.









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